terça-feira, 14 de junho de 2016

A barra

Edinho e Nenê(apelido) foram a uma loja,
ele comprou três calças jeans, que pagou 
o "zóio da cara" . Nenê, como mulher falante
que era, conversava com a atendente, falando
de como relacionamentos eram complicados,
isto gerou em Edinho indignação, ao saírem da loja,
Edinho chamou-lhe a atenção duramente
com cara de "cão chupando manga" 
e Nenê, engolindo o choro e a mágoa 
por tão duras palavras.
Em casa, Edinho pediu que ela fizesse a barra
das três calças, mas não quis experimentar para marcar,
mandou Nenê medir na calça antiga. 
Ela fez isso, mediu, marcou a barra, 
só que chorando...pegava a calça e lembrava da "bronca".
Mas tudo bem...mediu, cortou costurou.
Quando Edinho foi experimentar a calça, olhou para a barra e falou
"Abaixe a barra, ficou muito curta, estou parecendo um palhaço assim" 
Nenê sentiu o sangue sumir do rosto..."Não vai dar"
"Como não? ...É só desmanchar e aumentar a barra!"
"Não é não" disse lívida de medo do "ogro"
"Porque não? ...Me passe a outra calça, vou provar , ver se tá boa."
"Não, não precisa experimentar....silêncio....estão as três iguais..." 
"O queeeee?... Você cortou o tecido que sobrou? Das três calças??? 
"sim, cortei...snif."
"Eu não acredito nisso...você quer mesmo que eu ande como um Mazzaropi!!!"
Nenê, abaixou a cabeça, vermelha de vontade de rir, mas não podia, 
o que ia restar ai era o choro mesmo.
"Desculpe Dinho"  (era como ela o chamava) 
"E desculpa vai adiantar? Gritava ele...
 você jogou no lixo trezentos reais (na época trezentos era grana viu)
"Mas Dinho, você não quis provar, eu estava triste, você 
brigou comigo lá, engoli o choro, e agora a culpa é só minha?"
" Não interessa , Não quero saber, dê um jeito, se vira!"
"Faço uma bermuda então...."
"NÃO... quero a calça, não uma bermuda!"
Nenê, chorando...e rindo quando lembrava da cena,
emendou o tecido fazendo uma barra falsa,
ora, ele pediu, ela fez. 
Pra concluir, a emenda ficou pior que o soneto, 
E as calças tomaram literalmente o "caminho da roça",
único lugar em que ninguém ia reparar 
no comprimento  "pula brejo".






segunda-feira, 13 de junho de 2016

Reflexões

Tudo que vinha ao seu encontro
pedia algo que não conseguia decifrar.
Fazia de tudo um sinal,
sincronismo...  nome do acaso que não existe
até do que é vendaval, 
escrito esta no celeste.
Um copo sobre a mesa,
um xale esquecido sobre a cadeira,
sapatos repousam no chão,
cansados de um caminho trilhado em vão.
Reflexões sob os raios do por do sol, 
logo virão as algemas da escuridão...
que a impedem seu caminhar
em direção à tudo que um dia foi desejo.
Uma vida diferente, uma diferente vida, 
de todo planejar lhe restou apenas esperar...
e continuar a sonhar com o nascer do sol 
que toda manhã vem lhe acariciar!
 
 

Liberdade vigiada 3

Ao perceber que a rosa no vaso estava murchando, Nina foi cortar a pontinha do caule e trocar a água do vaso.
Ele entrou, ela virou-se para ele e finalmente quebrando o silêncio falou..
"_Olhe, de uma vez por todas vamos conversar, esta coisa de morar na mesma casa, se esbarrar e não se falar,  não me agrada."
"_O que você quer falar? Tem alguma coisa pra falar ainda? Se tiver fale agora!!!" Falou com a cara fechada.
"_Decidi que vou dar um tempo à você...como você mesmo me disse, eu fui desleal, menti pra você, 
quis te enganar, você não confia mais em mim. Vou passar uns dias na casa de meus pais, e você decide o que quer fazer!" Avisou ela.
 "_Então é isso que você quer? " foi a pergunta dele com os olhos marejados de lágrimas.
"_Não, não é isso! Mas se não tenho mais sua confiança...não há porque continuar." O silêncio pesava. Nina então lhe estendeu os braços...ele se aproximou e a abraçou e neste abraço ele sussurrou: "_Se você for de outro homem...não sei o que faço...acho que perco a cabeça." 
Nina era calma, doce, tranquila, mas tinha dentro de si um turbilhão, uma mistura de sentimentos, ela decidiu ficar sabendo que muitas outras crises viriam, chegou a desanimar. Foi ai que pensou nos anjos que ela tanto acreditava, e pediu em silêncio que eles cuidassem de tudo...
Nova semana chegou,  um barulho no telhado  despertou a atenção de Nina que olhou para o segundo andar da casa, começou a subir as escadas receosa, entrou em seu quarto...um cheiro de rosas tomava conta do ambiente, ela abriu a portada sacada e viu algo no chão ao lado da porta abaixou-se para pegar, era uma pena...Nina sorriu, olhou para o céu, na esperança de ver algum sinal, olhando novamente para a pena, percebeu que este era o sinal,  a "pena" era o sinal de que seu anjo ouviu
seu pedido, em seu coração pode ouvir a voz dele!
"Confie,  apenas confie em mim!"







domingo, 12 de junho de 2016

Liberdade vigiada - parte 2

Não trocaram palavra alguma no trajeto até a festa, apenas o necessário.
Ao chegarem entraram separados. ele ia caminhando atrás dela enquanto cumprimentava os amigos, depois ele foi pra um lado...  Nina para o outro onde sentou-se ao lado de uma conhecida.
Todos ali presentes eram do grupo da faculdade que se reencontrava sempre, só havia um problema: Os amigos eram dele!
Ela se sentia um peixe fora d'água.
Voltaram pra casa, novamente sem nenhuma palavra... ele dirigia feito um louco...ela fechava os olhos e rezava para chegar inteira em casa. 
Ao chegarem, ele foi dormir, ela sentou-se na cozinha, tomou um chá de maçã com canela,
chorou mais um pouco, só foi se deitar duas horas depois dele.
O despertador tocou, embora fosse domingo, tinham mais um compromisso "juntos"...
ao chegarem, a amiga de longa data percebeu alguma coisa,
" _Ei o que está acontecendo?" 
"_Crises de um relacionamento desgastado!"
"_Sei bem como é isso, não esquente, isso passa." 
E a conversa ficou por ai...almoçaram.  
Nenhuma palavra, nenhum esboço de carinho, nem mesmo um "Feliz dia dos Namorados". 
Nina pensava, precisava amadurecer ideias, mantinha-se calma e serena, porém sentia em seu coração que algo tinha acabado, um ciclo estava terminando.
Passaram-se três dias sem que ele lhe dirigisse a palavra, a flor que estava ainda no vaso, começava a murchar....



sábado, 11 de junho de 2016

Eu gosto de gente


Gosto de coisas concretas
de pessoas do bem
de afago de bicho 
e chocolate também.
Gosto de gente pura,
coração verdadeiro,
sorriso nos lábios,
Olhar de afeição.
Gosto de gente que chora,
de gente que ri, 
de gente que brinca e se emociona.
Eu gosto de gente cheirosa,
de gente sensível e carinhosa.
Eu gosto de gente que é gente!

Liberdade vigiada - Parte 1

Nina estava Triste, seus olhos inchados de tanto chorar, se via sem perspectivas, sentada em sua escrivaninha, a decepção era nítida, pensava em seu íntimo... como algumas pessoas que a cercavam, podiam ter tão duras palavras, nenhum gesto de carinho! 
Quanto ela se enganou, quantos sorrisos foram lhe oferecidos sem verdade. 
ELE tinha lhe dado liberdade, incentivado  a ser mais atrevida, pedia que se soltasse mais nos encontros sociais. E ela submissa o fez, e quando... naquele dia chegando tarde na festa... (que ele a tinha autorizado a ir antes dele) entrou no salão de festas e a  viu conversando com aquele homem estranho, sorrindo e feliz.. ELE tornou-se  outra pessoa. 
Nina sem entender o que acontecia,  foi atrás dele  em direção a porta de saída...em casa...aos berros ele a  mandava sair de casa, se quisesse podia ir para a casa da mãe, ele  a  acusava de estar sendo desleal, de expor seu nome a sociedade machista e hipócrita que os rodeava. 
E ele??? Quantas vezes a expôs literalmente à esta mesma sociedade.  
Nina, ao mesmo tempo dizia que não iria sair da casa, que ele fosse para outro lugar. 
Irônico.. ele ria desdenhando dela "_Mas você quer ficar aqui?" ria feito um idiota "_Não mesmo!!!" Chorando ela perguntou a ele se queria mesmo que ela fosse embora do jeito que estava, no frio e na chuva e aquela hora. 
"_Você é quem sabe!" Respondeu ele virando-se para pegar uma outra cerveja na geladeira, já tinha bebido demais.  
Ela repetia inutilmente "_Você me deu esta liberdade!"
"_ Não esta liberdade, conversar, sorrir, ser feliz como você parece ficar nestas conversas, não é assim comigo" Ele quase gritando.
Nina voltando seus olhos para a imagem do santo na parede pedia ajuda em pensamento. 
Não poderia mais para continuar com os grilhões invisíveis que ele colocava, com as as cobranças de uma pessoa que queria tudo do seu jeito. 
Agora sentada em frente sua mesinha de escrever, derramava lágrimas... elas molhavam o papel, e a impediam de entender o que escrevia. Ele saiu antes que ela acordasse e passou o dia fora... e ela nem tinha ideia de como estava o humor dele agora. Como seria quando ele chegasse? Qual seria a decisão que ela teria que tomar? E com um suspiro sentido... levantou-se e foi arrumar-se para mais uma festa....a festa que seria ..talvez a ultima em que participariam juntos!

terça-feira, 7 de junho de 2016

A arte de um anjo


Um dia qualquer, olhares se cruzam 
sorrisos tímidos... um certo ar de mistério..
uma conversa...um sorvete...uma flor.
Frente a frente eles se tocam,  
os olhos se apresentam, não é preciso palavras. 
Lábios que se encontram...carinho que se troca... 
suspiros... sorrisos... sussurros...uma leveza no ser. 
Magnetismo inexplicável,  luz que envolve a alma, 
dá calor as  juras de amor... na escada rolante...
hoje não é mais roda gigante...
um anjo feito criança ... ahh este menino atrevido...
um anjo chamado cupido... 
atira a flecha que enlaça o corpo
domina a alma... e atinge o coração!!!

 Sônia Regina